ROBERT SCHUMANN (1810-1856)
Violin Sonatas, Op.105 and 121

CLARA SCHUMANN (1819-1896)
3 Romances, Op.22

Robert Schumann: Sonata No. 1 for Violin and Piano in a minor Op.105
1. I Mit leidenschaftlichem Ausdruck
2. II Allegretto
3. III Lebhaft

Robert Schumann: Sonata No. 2 for Violin and Piano in d minor Op.121
4. I Ziemlich langsam – Lebhaft
5. II Sehr lebhaft
6. III Leise, einfach
7. IV Bewegt

Clara Schumann: 3 Romances for Violin and Piano Op.22
8. I No.1 in D Flat Major (Andante molto)
9. II No. 2 in G minor (Allegretto, mit zartem Vortag
10. III No. 3 in B Flat minor (Leidenschaftlich schnell)

 

Classical.net, Brian Wigman, Março de 2013

“Robert Schumann recebe bastantes críticas pelas suas obras sinfónicas, que são algo rígidas na sua concepção. De seguida, não recebe crédito suficiente pela sua música de câmara. Vá-se lá perceber! Clara Schumann é, por norma, completamente preterida pelo seu marido e acaba por ficar, também, na sombra de Brahms. Talvez a família Schumann seja apenas azarada, então, mas a música é uma coisa simplesmente maravilhosa. Como referi no mês passado, João Paulo Santos e Bruno Monteiro são um duo formidável, que claramente acredita naquilo que toca. Este disco já atraiu grande atenção por parte dos meios de comunicação e com todo o direito; mas os meus motivos surgem de seguida.
Bruno Monteiro tem uma sonoridade única e é preciso habituarmo-nos a isso. Uma vez feita essa habituação, concentramo-nos na sua arte infalível e na sua sinceridade musical. As duas sonatas Schumann elevam-se simplesmente; a gravação da Centaur coloca-nos num lugar de uma sala de concertos. Aos meus ouvidos, a primeira sonata faz-me recordar imenso Brahms e não é nada pior por isso. Mesmo que não concordem, é tão deliciosamente comovente e Romântica que terão de apreciar quão magistral ela é. Talvez não tenha a melodia que o trabalho de Brahms teria para este emparelhamento, mas aquilo que realmente tem é, independentemente, grandioso. João Paulo Santos é simplesmente maravilhoso; adorei-o no disco Saint Saëns/Strauss cuja crítica escrevi e numa acústica mais favorável sou capaz de apreciar quão bom artista ele realmente é. Mas este continua a ser um espectáculo de Bruno Monteiro e ele brilha. O terceiro andamento sombriamente dramático mostra-o na sua melhor forma virtuosa.
A segunda sonata é tanto mais substancial como mais desafiante. Não perturba estes músicos nem um pouco e as suas capacidades brilham também neste trabalho. Durando mais de meia hora, esta peça exsuda Romanticismo de uma forma absolutamente arrepiante. Gostaria de destacar o terceiro andamento que é simplesmente deslumbrante. Mais uma vez, o som único do violinista pode fazer levantar algumas sobrancelhas, mas o seu intuito é tão sério e as melodias tão sentidas que há pouco sobre o que não concordar. O final conduz a obra a um encerramento tempestuoso e turbulento. É intensamente satisfatório.
Em vez da terceira sonata do compositor, Santos e Monteiro optam por três comoventes Romances da autoria da sua esposa, Clara, que se prova um par perfeito. Eles são o que são, miniaturas melancólicas e agridoce que mostram o dom extraordinário de Clara para a composição, uma dádiva que ela abandonaria com a morte de Robert. Mais uma vez, um louvor a Bruno Monteiro e João Paulo Santos pela sua total crença na música e pela sua boa vontade em apresenta-la perante nós. Isto é realmente muito, muito bom. Um disco vencedor".

 

Fanfare Magazine, Lynn René Bayley, Setembro 2012

"Aqui está um disco com muita concorrência, muitas vezes de renome, particularmente nestes seus dois primeiros trabalhos, embora surpreendentemente, a maioria das versões mais recomendadas serem de nomes menos conhecidos (Nicolas Chumachenco em MDG 3041647, Thomas Zehetmair em Teldec 81031, e Ingolf Turban em Telos 98). Nos Romances de Clara Schumann, o seu maior concorrente parece ser Aaron Rosand (Musical Concepts 129) e Soojin Han (Profil 10071). Dou uma nota positiva ao disco pelo fraseado sensível e altamente musical de Monteiro, bem como pela marcante forma de tocar do pianista Santos. Ele é claramente um descendente, seja consciente ou inconscientemente, da escola de violino de Arnold Rosé, o que significa que produz um forte, mas adstringente som, quase viral, que provavelmente soaria bem se ele fosse concertino de uma grande orquestra, mas que pode ser dissonante no contexto de uma sonata. (Para ser sincera, oiço o mesmo som no muito mais famoso Gidon Kremer.). (…) A forma latente e apaixonada de tocar de Monteiro vai conquistando à medida que as obras progridem. (…) Dei por mim a gostar imensamente dele. Posso recomendar esta interpretação como cativante".

 

Fanfare Magazine, Maria Nockin, Setembro 2012

"Bruno Monteiro é um jovem violinista que está a iniciar uma importante carreira internacional. Aqui, toca com o pianista João Paulo Santos, Director de Estudos Musicais e de Cena do Teatro Nacional de São Carlos. Juntos, a intensidade da sua interpretação confere vida à paixão romântica de Schumann. Monteiro tem sons maravilhosamente poéticos e dramáticos, enquanto Santos nos dá energia pianística. As Sonatas de Robert Schumann são altamente exigentes e há momentos em que a propulsão dramática se sobrepões à precisão, mas o resultado vale bem a pena. Trata-se de uma forma de tocar em que vale-tudo que comanda a atenção do ouvinte e a mantém durante cada sonata. Quando o compositor requer expressão apaixonada, é exactamente isso que Monteiro e Santos nos dão e quando Schumann pede um toque leve, eles fazem com que a música sou como uma brincadeira de crianças. Gidon Kremer e Martha Argerich também oferecem uma forte rendição das duas primeiras sonatas de Robert Schumann na Deutsche Grammophon, mas o seu disco foi gravado em 1985 e o som está um pouco aquém do som de grande qualidade dos dias de hoje. Há mais de uma década atrás, Silke Avenhaus e Isabelle Faust gravaram todas as três sonatas para a CPO, sendo o lançamento do disco e as suas rendições também boas, mas não tendo a intensidade e paixão da gravação de Monteiro e Santos para a Centaur. O ambiente é o de uma sala de concerto e o som é claro e presente".

 

Fanfare Magazine, Jerry Dubins, Setembro 2012

"A última gravação de sonatas para violino de Schumann que eu recebi para crítica apresentavam a violinista coreana recém – aparecida Jennifer Koh, nascida em Chicago, e o seu excelente parceiro pianista Reiko Uchida. Isto foi em 2007, 30:6 artigo da revista. Da forma de tocar de Koh, disse, na altura, que se tratava de um refinamento transfigurado e de uma beleza que de alguma forma conseguia misturar um sentido de castidade angelical com um sentido de profundo conhecimento humano e comparei-a com Menuhin nos seus melhores anos. Trata-se de pisadas difíceis de seguir, mas o violinista português Bruno Monteiro consegue atingir uma beleza diferente mas igualmente sedutora, completamente sua, com as duas sonatas com número de opus. O seu som, não tão virginal como o de Koh, tem uma qualidade vibrante e latejante que envolve a expansão efusiva de Schumann de uma melodia que não pára com um brilho brando. Se é um brilho e um sentido de inocência que pauta as leituras de Koh, as de Monteiro são mais maduras, preenchidas de uma felicidade passada perdida e de presságios de trevas por chegar. Onde as duas versões se sobrepõe, complementam-se de forma agradável e se apenas se prendesse com as duas sonatas, eu teria problemas em escolher uma em detrimento da outra. (…) Os três Romances são lindamente e saudosamente tocados aqui por Monteiro e Santos. Uma versão completamente envolvente recomendada sem reservas".

 

MusicWeb International, Byzantion, Agosto 2012

“(…) A saúde mental de Schumann estava em sério declínio nos últimos dois anos da sua vida, mas nas duas Sonatas deste atractivo recital pelo violinista português Bruno Monteiro e o seu vigoroso pianista João Paulo Santos não há quase sinal disso, mas antes de uma vitalidade e imaginação que estão inequivocamente voltados para o futuro. Tonalidades menores nem sempre significam ruína e obscuridade e quase não há cantos por iluminar em cada uma das Sonatas de Schumann. (…) Há muitas gravações disponíveis das duas, frequentemente emparelhadas: opções entre as gravações do CD single incluem Marwood e Tomes na Hyperion (CDA 67180), Gringolts e Laul na Onyx (4053), Wallin e Pöntinen na BIS (SACD 1784), Widmann e Várjon na ECM New Series (4766744), Kaler e Slutsky na Naxos (8.550870). Contudo, esta da editora americana independente Centaur também tem muito a seu favor, não menos do emparelhamento com os Romances de Clara, que são difíceis de encontrar. Além disso, juntamente com Carlos Damas, Bruno Monteiro é um dos principais violinistas portugueses. A sua abordagem à música de Schumann pode ser caracterizada como intelectual, com uma boa atenção aos tempi e fraseado e muito pouco vibrato. Ele nunca é secamente académico e exprime aspectos emocionais de forma eficaz, através de um apelativo rubato. O violino de Monteiro tem um som que não agradará a todos os gostos pendendo, contudo, um pouco mais para o lado fluorescente do que brilhante. João Paulo Santos é um parceiro de grande confiança e inteligência. A qualidade do som é boa no geral".

 

Expresso, Jorge Calado, Agosto de 2011

"É consolador ouvir um disco de repertório internacional com instrumentistas portugueses. Bruno Monteiro, que teve o apoio do excelente Gerardo Ribeiro e posterior formação americana, é hoje um dos violinistas portugueses com maior visibilidade, sublinhada por uma mão-cheia de gravações. A beleza do som impõem-se logo no início da "Sonata em lá menor, Op. 105" (1851). Com a impecável colaboração de João Paulo Santos – sempre atento às mudanças de tempo, ritmo e textura do piano -, temos uma interpretação fresca, onde o carácter introspectivo não é atraiçoado pela maior ligeireza do 2º andamento nem pela brilhante articulação rítmica do 3º. (…) Já o delicioso 3º andamento (com corda percutida) e o endiabrado 4º (Sonata Op.121), onde Schumann se sente tentado a explorar novos ritmos e harmonias, me parecem bem explorados. (…) Os "3 Romances", de C. Schumann, compostos em 1853 e obviamente estimulados pelas sonatas do marido, são pequenas jóias melancólicas e oníricas, onde piano e violino dialogam de igual para igual".

 

American Record Guide, Joseph Magil, Julho de 2011

“Estes desempenhos são interessantes. Bruno Monteiro toca com muitos maneirismos da era do passado. Usa frequentemente portamentos e vibrato esparso, como se esperaria ouvir dos contemporâneos dos Schumann´s. Também, os tempos do duo são ideais; nunca deixam a energia da música para traz, e usam rubato eficazmente. Monteiro tem um sentido perfeito de como a música deve fluir, e isso é o que eu quase sempre me queixo em gravações destas Sonatas. Os Três Romances de Clara Schumann são, mesmo que não ao mesmo nível das obras de seu marido, música muito boa que violinistas talvez devessem considerar adicionar aos seus recitais. (…) João Paulo Santos é um vigoroso e ainda atencioso colega".

 

Audio Video Club of Atlanta, Phil Muse, Junho de 2011

"Dois artistas de Portugal, Bruno Monteiro e João Paulo Santos, trazem vida nova a duas atraentes obras dos últimos anos da vida de Robert Schumann. (…) O final (Sonata nº1) exige um trabalho de equipa de ambos os músicos e mantêm os nossos artistas na ponta dos seus dedos. (…) O andamento final (Sonata nº2) nas mãos de Monteiro e Santos leva-os gradualmente a construir um óptimo clímax. O programa contém também os Três Romances, Op. 22 de Clara Schumann. O meu favorito, o n. 3 em Si bemol menor, está radiantemente belo nesta interpretação".

 

Regina Brady (http://languages.oberlin.edu)

“Ouvi a gravação dos três romances (Clara Schumann) por Bruno Monteiro no violino e João Paulo Santos no piano. O primeiro romance é uma bela melodia romântica que me lembra um pouco o Adágio do Adágio e Allegro para Trompa e Piano. A maneira de tocar de Monteiro e Santos é extremamente pungente, com o violino de Monteiro a conseguir um som enorme. O segundo romance tem uma expressão mais dançante e uma interpretação mais rústica. Acho que o terceiro romance é realmente o mais bonito. Cada intervalo é acariciado pelos intérpretes e há uma extraordinária linha melódica. É triste que esta obra não tenha recebido a atenção que merece".

 

Diário de Notícias, Bernardo Mariano, Março de 2011

"Na Sonata nº1 (Schumann), destacamos o andamento inicial (Com expressão apaixonada) e na Segunda, de novo o andamento inicial e o terceiro, como aqueles onde a proficiência técnica e adequação da expressão (ambas puxando amiúde o violino até aos seus limites) atingem níveis mais elevados. Nas Romances, destaco o nº1, pelo equilíbrio de fusão doméstica e decoro salonesque".

 

Jornal de Letras, Maria Augusta Gonçalves, Fevereiro de 2011

"Este é o primeiro disco do violinista Bruno Monteiro para a maior editora norte-americana independente, a Centaur. O facto diz muito do percurso do músico português e é também eloquente quanto à parceria com o pianista João Paulo Santos, presente em três dos quatro discos editados com a "assinatura" de Monteiro. (…) Bruno Monteiro e João Paulo Santos não temem a tensão constante, não evitam o confronto com a evidência, a inevitabilidade que cada uma das obras impõe. O piano oferece uma das mais justas leituras do último andamento da Grande Sonata, e o violino conhece bem a "voz" interna que Schumann lhe atribui – exemplo maior, o final do Op.105. A cumplicidade entre os dois músicos é evidente – mas também só é possível por quem sabe o que distingue uma grande interpretação. Aqui, a prova é feita, mais uma vez, a cada instante. O disco encerra com os três Romances de Clara Schumann e o seu diálogo expressivo e triste, entre os dois instrumentos. Um epílogo possível, provavelmente o mais exacto para uma das mais belas homenagens à música de câmara do compositor alemão surgida no último ano".