20th CENTURY EXPRESSIONS (NUM 1173)

KAROL SZYMANOWSKI (1882-1937)
Sonata para Violino e Piano em Ré menor Op.9
Sonata for Violin and Piano in d minor Op.9

1. Allegro moderato-Patetico
2. Andantino tranquillo e dolce (quasi candeza)
3. Finale: Allegro molto, quasi presto

ERNEST BLOCH (1880-1959)
Sonata n.1 para Violino e Piano
Sonata n.1 for Violin and Piano

4. Agitato
5. Molto quieto
6. Finale: Moderato-Lento assai

ERICH WOLFGANG KORNGOLD (1897-1957)
Much Ado About Nothing Op.11
7. Bridal Morning (Maden in Bridel Chamber)
8. Dogberry and Verges (March of the Sentinel)
9. The Garden Scene (Intermezzo)
10. Masquerade (Hornpipe)

 

Classical.net, Brian Wigman, Junho de 2013

“Uau. Este é um lançamento importante para qualquer pessoa que esteja cansada do mesmo material de violino repetido vezes sem conta. É curioso: os coleccionadores reclamam sobre a falta de diversidade musical no mercado, mas normalmente escondem-se timidamente dos discos como este porque não apresentam “grandes” artistas com “grandes” marcas. Bem, Bruno Monteiro e João Paulo Santos são grandes artistas de acordo com qualquer padrão, tendo sido sempre elogiados por todas as marcas que agraciaram. Também ousam gravar uma variedade de obras que são, por vezes, difíceis de encontrar, e outras que são extremamente difíceis de encontrar. Francamente, não posso deixar de referir o quanto aprecio a parceria deles: não só fazem excelente música, como também existe uma química genuína que é muito cativante.
A de Szymanowski é uma obra-prima deste meio. Os andamentos exteriores fervilham com andamentos fortes. O andantino interior, pelo contrário, é tão tranquilo e encantador quanto pode ser. Szymanowski usa uma linguagem indubitavelmente moderna, mas nada se torna grosseiro ou feio, nem a obra confunde o ouvinte seja de que forma for. Isso não significa que não seja desafiante: é-o da melhor forma possível. Múltiplos ouvintes confirmam quão bem composta a obra realmente é, cheia de melodias boas misturadas com um argumento intelectual sólido. Monteiro e Santos tornam a obra sua. Enquanto o som do violinista foi referido como único, ele serve sempre a música com ele. E Santos mantém-se fiel a ele mesmo, ou seja, um pianista magistral a trabalhar com um parceiro que partilha a mesma linha. Juntos, permitem que a Sonata fale por si mesma, com excelentes resultados.
A Sonata de Bloch com três andamentos não é tão memorável ao início, mas acrescenta uma importante perspectiva sobre o compositor, que é conhecido por algumas obras. Não estou convencido com o andamento de abertura, que não tem a melodia nem a tensão da forma que a de Szymanowski tem. Por outro lado, o Molto quieto é incrível. Monteiro usa a sua sonoridade pessoal para um efeito impressionante face ao acompanhamento semelhante à chuva de Santos. É um assombro e imperativo ouvir. A peça termina com uma brincadeira animada e popular e isso agrada-me. Ao longo da mesma, o compromisso e a irrefutabilidade que este par traz à peça transcende, provavelmente, o trabalho em si. Mas o andamento do meio é qualquer coisa.
A obra de Korngold é uma forma engraçada de terminar um disco gratificante e é tocada extramente bem. Tal como aconteceu com os dois trabalhos anteriores, Monteiro e Santos infundem a suite com um tom de personalidade. É aqui que o som particular do violinista e o estilo são mais evidentes e, também, mais apropriados. A embalagem é atraente e chique, o som muito bom e o projecto no geral é tão satisfatório e musicalmente compensador como qualquer outro trabalho feito por este par. Excelente".

 

Público, Pedro Boléo, Novembro de 2008

"Um disco excelente de dois intérpretes portugueses que atacam um repertório pouco conhecido de três compositores interessantes e sempre secundarizados. Como se não bastasse o facto de juntar dois excepcionais músicos portugueses numa colaboração de qualidade, este disco pode ajudar a mostrar que a história da música da primeira metade do século passado não se escreve apenas com quatro ou cinco nomes. (…) Um trabalho de conjunto, mesmo quando brilha nos agudos o violino de Bruno Monteiro ou se destaca o piano de João Paulo Santos, quase sempre uma âncora, indispensável, mas discreta. Ouça-se o violino de Bruno Monteiro captando toda a beleza do lírico (e pelo meio irónico) do segundo andamento da "Sonata para violino e piano em ré menor Op.9" de Szymanowski. Ou o piano de João Paulo Santos com um som cheio e intenso no "Agitato" da "Sonata n.1" de Bloch. São exemplos de bons encontros com a música destes compositores que desafiam as tradicionais linhagens da música "clássica". Estas ignoram quase sempre as ramificações e a diversidade dos contraditórios modernismos dos anos 10 e 20. O compositor Erich Korngold é um caso curioso da música do século XX. Viveu até 1957, e desde 1934 (fugindo ao nazismo) trabalhou em Hollywood, onde compôs música para o cinema. A qualidade ligeira da sua música levou alguns a colocá-lo à margem da história da música "erudita" europeia. E contudo Korngold escreveu muita música de câmara, várias óperas e esteve sempre atento aos novos meios, a rádio, o disco, o cinema, e também ao teatro. Este disco inclui a música originalmente composta para os palcos, para acompanhar "Much Ado About Nothing" ("Muito Barulho por Nada") de Shakespeare. Só depois ele extraiu daí esta Suite, ligeira, leve e simples mas muito bem escrita, de recorte "clássico" e tonal. Nada disto se encontra na pós-romântica e um pouco inquietante sonata de Bloch, que termina lenta e lamentosa. Bruno Monteiro e João Paulo Santos descobrem a respiração correta e seguram a tensão constante da obra. É aí que se pode encontrar o momento mais feliz deste disco".

 

Jornal de Letras, Maria Augusta Gonçalves, Outubro de 2008

"Se o programa do primeiro disco de Bruno Monteiro parecia dar corpo a um manifesto pessoal, na perspectiva da interpretação, ao optar pela Sonata para violino e piano de César Franck e pela terceira de Edvard Grieg, duas obras distintas, exigentes e determinantes da derradeira expressão romântica, a nova proposta acentua, decerto, o desafio que o músico impõem a si mesmo, alargando a perspectiva a três compositores menos conhecidos - Karol Szymanowski, Ernest Bloch e Erich Korngold - e, através deles, aos sobressaltos de uma época. Com Grieg e Franck, Bruno Monteiro arriscava num terreno fascinante, sobejamente interpretado; no novo disco, recupera testemunhos poderosos e contrastantes de uma época, dos confrontos e alegrias que a todos os níveis a marcaram. É uma afirmação contra o esquecimento, na qual é acompanhado por João Paulo Santos. (…) A parceria vem do disco anterior e a empatia é reforçada pela perspectiva histórica, partilhada e necessariamente enriquecida pelo pianista. À semelhança das Sonatas de Szymanowski e Bloch, Much Ado About Nothing é gravada em Portugal, pela primeira vez. Que sejam Bruno Monteiro e João Paulo Santos a fazê-lo, não é um acaso. É também uma vantagem".

 

Expresso, Ana Rocha, Outubro de 2008

"Após um primeiro CD com Sonatas de César Franck e Grieg, Bruno Monteiro (violino) reuniu-se no estúdio com João Paulo Santos (piano) para gravar a primeira sonata de Bloch, outra de Szymanowski (op.9) e Much Ado About Nothing, uma peça que Erich Korngold compôs ainda adolescente. Na segunda gravação do violinista nascido no Porto apresentam-se peças pouco escutadas do repertório. Ao longo de 64 minutos, Monteiro e Santos conseguem comunicar (nas explosões súbitas na peça de Szymanowski, na substância musical mais abstracta da sonata de Bloch e na originalíssima obra de Korngold) uma pulsação que desbravam de andamento em andamento, sempre com a convicção partilhada de que há um fluir real entre os dois instrumentos, numa conversa nunca petrificada".

 

Diário de Notícias, Bernardo Mariano, Outubro de 2008

"Depois de Debut, o violinista Bruno Monteiro voltou a escolher a parceria com João Paulo Santos e a editora Numérica para o seu segundo disco. Chama-se 20th Century Expressions e contém três obras que são outras tantas estreias em termos discográficos por um artista português: a Sonata para Violino e piano em ré m, op.9, de Szymanowski; a Sonata para violino e piano n.1, de Bloch e as Quatro Peças para violino e piano extraídas da música de cena de Korngold para Muito barulho por nada. (...) no Szymanowski (...) inegável intensidade que percorre a sua leitura. (...) no Bloch, certamente o zénite deste CD: numa obra mentalmente (e fisicamente, por certo...) esgotante, Bruno Monteiro arranca uma interpretação notável, sempre sobre o fio da navalha, mas recebendo a recompensa. Por fim, o Korngold, bastante mais ligeiro que as obras precedentes, tem de Monteiro uma leitura tecnicamente impecável e dotada de um cabal sentido de carácter a imprimir a cada peça".

 

Jornal de Notícias, Rui Branco, Outubro de 2008

"Num ambiente dominado por uma atmosfera romântica, destacam-se a empatia do duo e o virtuosismo do violinista, que o coloca entre os mais destacados músicos lusos deste instrumento na actualidade".